Mostrar mensagens com a etiqueta esperança. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta esperança. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Se algum dia acontecer

Se eu me perdesse, procurar-me-ias?
Numa busca infinita e crédula
além do finito
vasculhando cada linha de cada limite
percorrendo cada ângulo do espaço
dedicando a tua vida à minha salvação
fá-lo-ias?
Terias a coragem e o amor necessário
A vontade sedenta e inesgotável

Ou trancarias a esperança numa cave acorrentada e vendada
deixarias a tristeza sentada num quarto de hóspedes
dirias à saudade para se deitar no jardim e adormecer
e a felicidade, dir-lhe-ias algo, não sei.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Dei sogni resta la speranza

Não vou escrever nada de novo.Devia estar a resolver problemas de genética para a aula de amanhã, e por sentir culpa de o não estar fazendo, também não vou dar-me ao trabalho de escrever sobre nada aqui, quando começo, tema arrasta tema e demoro mais de meia hora a escrever um texto. Portanto, poesia minha pré-histórica. É o meu segundo poema em italiano,o primeiro escrevi-o quando tinha 6 anos, foi o meu primeiro poema de todos,começava qualquer coisa "Gli ucelini..."
Provavelmente o poema tem erros de tempos verbais e falta de acentos, e não me apeteceu consultar um dicionário, o título é "dos sonhos resta a esperança"

Dei sogni resta la speranza

giorni vadono
giorni arrivano
e io sto sempre in la stessa plaza

ma uno di questi giorni sera diferente dei altri
il mio corazone non existira piú
e doppo andro dove niente mi racontrara
in quella plaza dove cé la felicita
la stessa dei livri dei bambini

non ho mai cresciuto
i anni passano e io...
io ancora sogno tutti i giorni con il mio principe
e lo so que lui non existe
ma io continuo sognando
e questo sogno di bambini
mi fa sentire la tristezza in tutte le cose que vedo
e sta ucidando la speranza que mi resta
perche io lo so que i sogni non sono più di sogni

ma continuaro sognando
sognando al infinito
per dire al mundo
"sono ancora viva!"

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Antologia poética de Miguel Torga

Li esta antologia há cerca de 2 ou 3 anos, não me recordo o tempo exacto, mas lembro-me de algo: adorei o livro e apontei o nome dos meus poemas preferidos inclusivé . Aconselho a apreciadores e não apreciadores de poesia.
Vou transcrever alguns exemplos:

Esperança
Tantas formas revestes, e nenhuma
Me satisfaz! Vens às vezes no amor, e quase te acredito.
Mas todo o amor é um grito
Desesperado
Que apenas ouve o eco...
Peco
Por absurdo humano:
Quero não sei que cálice profano
Cheio de um vinho herético e sagrado.

Câmara escura
Devagar,
Hora a hora,
Dia a dia,
Como se o tempo fosse um banho de acidez,
Vou vendo com mais funda nitidez
O negativo da fotografia.

E o que eu sou por detrás do que pareço!
Que seguida traição desde o começo,
Em cada gesto,
Em cada grito,
Em cada verso!
Sincero sempre, mas obstinado
Numa sinceridade
Que vende ao mesmo preço
O direito e o avesso
Da verdade.

Dois homens num só rosto!
Uma espécie de Jano sobreposto,
Inocente,
Impotente,
E condenado
A este assombro de se ver forrado
Dum pano de negrura que desmente
A nua claridade do outro lado.

Negrura
Neste dia sem luz que me anoitece,
Que me sepulta inteiro,
Até de mim a minha dor se esquece
Para que eu seja um morto verdadeiro.

Chove tristeza fria no telhado
Do castelo do sonho; nua, nua
A calçada que subo, já cansado
De tanto andar perdido nesta rua.

Duma olaia caiu, morta, amarela,
Qualquer coisa que foi princípio e fim;
E bem olhada, bem pensada, é ela
Aquela folha que lutou por mim...

Sozinho e morto ouço cantar alguém,
Mas é longe de mais a melodia...
E o ouvido que vai nunca mais vem
Trazer me a luz que falta no meu dia.